Ladrão de Capado

Ze do Cedro e João do Pinho

Me contaram um certo dia
Com muita sinceridade
Uma história verdadeira
Que não parece verdade
O impossível acontece
Pode ser realidade
Quem contou foi um caboclo
O homem conversa pouco
Mas com muita autoridade

Na margem de uma estrada
No interior do meu estado
Certa noite um sitiante
Acordou por um chamado
Levantou, abriu a porta
Foi logo cumprimentado
Me desculpe meu senhor
Venho lhe pedir um favor
Porque me vejo obrigado

Eu sou um caminhoneiro
Trabalho como empregado
Vou indo para São Paulo
Com o Ford carregado
Conduzindo porco gordo
Para vender no mercado
Num buraco ali na estrada
O carro deu uma bacada
Caiu o porco mais pesado

Com a maior boa vontade
O sitiante lhe atendeu
Acordou os seus dois peões
E também os filhos seus
Os caboclos eram fortes
Pegou o porco e suspendeu
Não cobraram um vintém
Só Deus lhe pague e amém
Montou no Ford e rompeu

No outro dia o sitiante
Como era acostumado
Foi levar ração na ceva
O portão estava quebrado
E faltava um porco preto
Por sinal o mais cevado
Foi então que compreendeu
Que o homem que ele atendeu
Era ladrão de capado
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