Na curva de um monte Ao pé de um lajedo Cavei uma fonte Brotou meu segredo A água era pouca A fonte, sagrada Molhei minha boca Achei minha amada
Abri o horizonte Com a ponta do dedo Cheguei nessa fonte Ainda bem cedo Matei minha sede Na fonte encantada Armei minha rede Fiz minha morada
Bebi dessa fonte Com um pouco de medo Mas vi que defronte Nasceu um arvoredo Sentei na beirada Enchi minha pilha Dei pra minha amada Um filho e uma filha
Banhei nessa fonte O meu lado esquerdo Quem pede que eu conte Desmanche o brinquedo Não me guarde mágoa Que a fonte é secreta Pois é dessa água Que bebe o poeta