A Gaita do Falecido

Gildo de Freitas

Quando morrer não quero grito e nem choro
Pois eu não quero que a tristeza vá comigo
Peguem minha gaita que pra mim vale um tesouro
E vão tocando até meu derradeiro abrigo

Quando chegar na porta do cemitério
Sei que o porteiro não vai deixar entrar tocando
Até ali já fizeram como eu quero
Larguem da gaita e podem continuar rezando

A minha gaita vou deixar como lembrança
Pra algum dos filhos que tiver a vocação
Eu só não quero ela em mão de criança
Andar rolando pelos banco ou pelo chão

Pra minha esposa eu vou deixar um pedido
Que por ventura de mim se recordar
Se por acaso arranjar outro marido
Na minha gaita não é pra deixar tocar

Não é ciúme não é nada não é intriga
Pouco me importa depois que eu tenha morrido
Eu só não quero que o malvado nunca diga
Fiquei com a gaita e a muié do falecido.
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